segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Polícia investiga ação de “viúvas negras” que exploram idosos até a morte


A Polícia  do Distrito Federal investiga mulheres que se casam com idosos e os exploram até a morte. A ação das chamadas ”viúvas negras” impressiona pela frieza e dissimulação no momento de escolher as vítimas: homens acima dos 80 anos, solitários, moradores de áreas nobres e com muito dinheiro na conta bancária. Os casos estão sob investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou contra Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).
Seduzir, casar e enriquecer. Esse é o modus operandi das mulheres que se tornaram alvo das investigações. Mulheres que diziam cuidadoras de idosos. Os casos lançam um alerta importante aos familiares, que precisam ter atenção redobrada na hora de contratar os profissionais.
Um dos casos conta a história de Gerson, de 86 anos, que morreu em 18 de novembro de 2015, quando estava sob os cuidados de uma das suspeitas. Procurador federal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nas décadas de 70 e 80, foi diagnosticado, em setembro de 2011, aos 82 anos, com Mal de Alzheimer e Parkinson.
Os filhos decidiram, então, colocá-lo em uma clínica de repouso para que ele tivesse os cuidados necessários. Lá, ele conheceu Ana*, que se tornou sua principal cuidadora. Prestativa, responsável e profissional, a mulher, então com 41 anos, encantou os familiares do idoso. Com os passar do tempo, ela resolveu montar uma casa adaptada, onde poderia cuidar de Gerson e convenceu os filhos a tirá-lo da clínica.
Ela cobraria uma mensalidade de R$ 5 mil – fora os gastos com despesas pessoais como medicamento e alimentação – dos parentes para cuidar do idoso. Ana costumava acompanhar o idoso inclusive em consultas externas, em hospitais particulares. Três anos se passaram, até que em novembro de 2015, o idoso foi internado às pressa por, supostamente, ter ingerido o próprio vômito. No terceiro dia de internação, Gerson não resistiu e morreu vítima de uma infecção generalizada.
Prestativa, Ana se colocou à disposição da família para cuidar de todos os preparativos para o funeral. Conforme os dias passavam, a cuidadora relutava em entregar para a família a certidão de óbito do ex-procurador. Desconfiado, um dos filhos do idoso foi até um cartório e descobriu que a cuidadora tinha se casado com o pai em segredo. De acordo com o documento obtido pelo filho, Ana e Gerson viviam maritalmente conforme a escritura pública declaratória de união estável.
Casamento à revelia
A viúva negra havia ido além do casamento escondido dos filhos. Deu entrada em um pedido de pensão no Incra como esposa do servidor falecido. A cuidadora foi indiciada por uma série de crimes, entre eles estelionato, falsificação de documentos e furto mediante fraude. No entanto, a perícia não conseguiu atestar com precisão se a morte do idoso teria sido provocada por alguma causa externa, como envenenamento ou algo parecido.
Ela forjou uma série de documentos para tentar subtrair todo o dinheiro da aposentadoria dele. Meu pai tinha Alzheimer e Parkinson e não tinha o mínimo discernimento, que dirá se casar com alguém”
filho de uma das vítimas

De acordo com a delegada Elisabete de Morais, uma série de outros casos estão sendo investigados, sempre tendo idosos como vítimas. “Esse tipo de crime, envolvendo pessoas de idade avançada, se tornou um dos carros chefes da delegacia. Fazemos um alerta para os familiares não deixarem os idosos abandonados. Eles se tornam presas fáceis para pessoas mal-intencionadas”, ressaltou.
General do Exército
Outro caso apurado pela unidade policial envolve um general reformado do Exército, que também foi vítima de uma mulher que se apresentava como governanta e cuidadora. O oficial acabou morrendo em julho do ano passado, com 80 anos. A Decrin começou a apurar o caso em março deste ano. A suspeita teria se aproveitado da solidão do militar para furtar uma quantia superior a R$ 100 mil.
Luiz* morava no Sudoeste após a mulher falecer. Como os filhos não moravam no DF, deixaram o pai aos cuidados de Margareth*, que já trabalhava para o casal e era tratada como alguém da família. A confiança era tanta que ficou responsável também pelo talão de cheques e cartões de crédito do general. Com o passar dos meses, uma fortuna foi torrada pela mulher, que cada vez mais deixava o idoso passar necessidade.
Segundo as apurações, uma das filhas resolveu conferir a conta bancária e os talões do pai e notou o gasto excessivo. Descoberta, a mulher pediu demissão. A investigação apontou que ela seduziu e enredou o idoso. Conseguiu comprar carro, eletrônicos e transferir para a conta de seu verdadeiro companheiro grandes quantias em dinheiro. A suspeita foi indicada por crimes como estelionato e furto mediante fraude.
Cuidados ma hora de contratar
De acordo com a Decrin, todos os dias pelo menos uma ocorrência de maus-tratos envolvendo idosos é registrada na unidade policial. Segundo o especialista em direito Paulo Rocha, o cuidador é a pessoa que mais passa tempo com o idoso e precisa estar preparado. “Por isso, é muito importante que o profissional contratado seja não só bem formado, mas também atencioso e paciente. Infelizmente, há uma infinidade de reclamações de familiares com relação a cuidadores que foram violentos com as pessoas que mereciam seus cuidados, algo que revela a importância da escolha”, ressaltou.
O especialista explicou que antes de escolher o profissional que trabalhará na casa, é essencial conversar ou fazer uma pequena entrevista. “É preciso pedir ao cuidador suas referências e entrar em contato com antigos contratadores para verificar a boa reputação do candidato ao emprego. A formação do profissional é outro ponto importante, pois ele terá uma série de responsabilidades que vão interferir diretamente na qualidade de vida do idoso”, explicou.
Rocha ainda contou um caso chocante: uma cuidadora trocou os medicamentos de um casal de idosos: ela com Alzheimer e ele com Parkinson. “A troca fez com que o senhor ficasse internado no CTI por vários dias, quase o levando a morte. Esse tipo de problema, como você deve imaginar, não pode de modo algum ser recorrente”, alerta.
Para contratar um cuidador, é necessário que o familiar defina alguns pré-requisitos básicos que o Cuidador deve preencher:
Entrevista de seleção (faça no mínimo 3 entrevistas)
O cuidador deve ter experiência “comprovada”
Pergunte como era o trabalho, quais as atividades que fazia, o tempo que ficou empregado e o motivo de ter saído
Procure saber se o cuidador tem conhecimento e experiência no cuidado de idosos com demência, doença de
Alzheimer, Parkinson ou outras doenças neurológicas e neurodegenerativas
Solicite telefones e endereços de empregos anteriores como referência
Busque referências pessoais com pessoas idôneas-
Consulte todas as referências de trabalho e pessoais
É fundamental a coordenação do familiar, supervisionando e orientando as atividades do cuidador.
Uma vez contratado, observe por algum tempo para constatar a experiência e habilidade do cuidador na função,
comportamentos e atitudes com o dependente (atitudes, valores e ética)
Fonte: Painel Político
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